Paralisação de caminhoneiros faz produtores descartarem leite em vários estados.

 

O portal Milkpoint divulgou vários casos de produtores de leite que estão descartando produção em decorrência da paralisação de caminhoneiros. No portal, a equipe do Milkpoint está atualizando informações de várias regiões brasileiras. Confira o que está acontecendo com a produção de leite em alguns estados. 

 

Pelo menos 500 mil litros de leite foram descartados por produtores de leite de Passos (MG) até esta quarta-feira (23) por causa da paralisação de caminhoneiros que afeta o Sul de Minas e todo o país. Segundo a associação dos produtores, o descarte foi feito já que não foi possível transportar o produto perecível.

A produtora de leite Gabriela Cruz, do Estado do Paraná, enviou o seguinte e-mail para a Equipe MilkPoint: “Eu li no e-mail a reportagem sobre a greve dos caminhões e o impacto na coleta do leite.  Sou favorável à greve mais acho que eles deveriam deixar os caminhões de leite fazer a coleta normalmente. Aqui onde eu moro não está diferente dos relatos apresentados na reportagem de vocês, todos os produtores estão jogando todo leite fora e nós também. Entregamos para a Cooperativa Frísia e ontem de manhã acabou até a ração na empresa. Fomos até o entreposto de Irati/PR e lá conseguimos comprar os últimos 40 sacos que estavam restando. Fomos informados que iria acabar até alguns medicamentos e não teria previsão de chegar – uma vez que não estão deixando nem van e nem combi passarem, somente carros pequenos. Onde vamos parar com tanto descaso?  Quem vai pagar os nossos prejuízos? Não podemos cortar a ração das vacas da noite pro dia, temos que continuar fornecendo alimentos igual a outros dias, mesmo sabendo que o leite vai ser jogado fora. Parabéns por mostrarem a nossa realidade nos momentos difíceis!”

A quantidade é referente ao produto descartado desde o início da paralisação, na última segunda-feira (21). A produção de leite em Passos é levada para outras cidades da região por acesso de rodovias importantes. Próximos à cidade, foram registrados protestos no quilômetro 360 da rodovia MG-050, sentido Itaú de Minas, e na MG-446, em Alpinópolis, sentido Passos.

“O caminhão tem que voltar pra buscar o leite, ou na indústria ou na fazenda, e aí ele é barrado. E a gente fica sem o transporte do mesmo jeito. Começa a acumular leite em todas as fazendas, causando um problema grave. A gente não tem nem como descartar leite adequadamente”, explica o presidente da cooperativa de leite, Marcelo Maldonado Cassoli.

Segundo os produtores, o leite não pode ser doado por conta de um artigo de lei. “É uma afronta pra gente que produz, é uma afronta por consumidor que está assistindo, é uma afronta pro mundo. Pegar um alimento dessa qualidade e ter que jogar num biodigestor”, lamenta Maurício Coelho, administrador de uma fazenda.

Outro efeito das paralisações que pode afetar a produção de leite é a falta de ração para os animais. “À medida que você quebra a dieta do animal em um dia, ela vai gastar um mês pra se recuperar”, explicou o produtor rural Manoel Godinho. Até o início da noite desta quarta-feira, o Sul de Minas tinha pelo menos 24 pontos de paralisação de caminhoneiros.

Mato Grosso do Sul

Produtores começaram a jogar leite fora em Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (23). A informação é da maior empresa de laticínios do estado com sede em Bandeirantes, a 71 km de Campo Grande, e que conta com 720 produtores cooperados. “Tem produtor que jogou 2.500 litros de uma só vez. Não tem jeito, tem que tirar o leite da vaca, se não o animal fica doente e morre”, disse Renato Gasparini, diretor comercial do laticínio.

De acordo com o representante da empresa, o problema está sendo gerado porque os caminhões que buscam o leite não estão conseguindo chegar nas propriedades rurais. Os tanques que os produtores possuem conseguem armazenar o produto por máximo 48 horas. A saída encontrada após esse prazo é dar o leite para os porcos ou jogar fora. A distribuição do laticínio também está sendo fortemente afetada, a maioria dos caminhões da empresa não estão saindo para a entrega e outros estão parados nos bloqueios.

Frigoríficos de aves, suínos e carne bovina também estão sendo afetados pela manifestação dos caminhoneiros em Mato Grosso do Sul. A Cooperativa Central Aurora Alimentos, informou que vai paralisar, nesta quinta (24) e sexta-feira (25), as atividades de processamento de aves e suínos em 4 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

A JBS, dona do maior número de frigoríficos em Mato Grosso do Sul, divulgou uma nota dizendo que vem monitorando os impactos da greve dos caminhoneiros e está adotando medidas, o que inclui, a paralisação de algumas unidades de carne bovina, aves e suínos, em razão da impossibilidade de escoar sua produção.

Na Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa), cresce a preocupação em relação aos produtos, isso porque caminhões com frutas e verduras não estão passando pelos bloqueios nas rodovias – 80% do que é comercializado na Ceasa de MS vem de outros estados.

“Duas vezes por semana nós recebemos um grande volume de caminhões, na terça-feira e na sexta, nessa terça as cargas conseguiram chegar, mas na próxima sexta eu acho difícil, tem carga parada nas rodovias e outras que nem saíram do local de partida ainda, a tendência é falta de produtos e alta dos preços”, disse Edmilson Bandeira, diretor administrativo da Ceasa.

Adesões

O movimento dos caminhoneiros ganhou adesões nesta quarta-feira em Campo Grande. Motoristas de aplicativo aderiram a manifestação e fizeram uma carreata pelo centro da cidade e um bloqueio em pontos estratégicos da avenida Eduardo Elias Zahran, no fim desta tarde. De acordo com a categoria, 60% do valor obtido com o transporte de passageiros é consumido no pagamento do combustível utilizado pelos carros.

Além dos motoristas de aplicativo, motociclistas também protestaram pelo elevado preço dos combustíveis. Eles fecharam o cruzamento da avenida Afonso Pena com a rua 13 de maio por cerca de 1 minuto , nesta quarta.

Rio de Janeiro

A Cooperativa Agropecuária de Barra Mansa informou na manhã desta quarta-feira (23), que vai descartar mais de 130 mil litros de leite, produzidos diariamente, por conta da paralisação dos caminhoneiros que entra no terceiro dia de greve. O prejuízo dos produtores deve chegar a R$ 150 mil/dia.

 

A entidade afirma estar “indignada e revolta os governantes, por conta da situação causada pelo aumento abusivo dos preços e tributação dos combustíveis, especialmente do diesel”. Membros da cooperativa ressaltam ainda que os sucessivos aumentos no valor do diesel também prejudicam caminhoneiros que trabalham diretamente no transporte leiteiro.

 

Na nota a cooperativa acrescenta que o leite é fruto de trabalho dos fazendeiros e investimentos no setor, que acaba sofrendo prejuízos diários, já que o produto não pode ficar muito tempo armazenado. O texto diz ainda que o agronegócio brasileiro “trabalha carregando o Brasil nas costas, salvando sua economia da incompetência e roubalheira governamental”. O protesto da cooperativa é assinado pelo presidente da entidade, Cláudio Martini Meirelles.

 

Sul Fluminense – Outros setores também já sentem o reflexo da greve dos caminhoneiros. Na região Sul Fluminense postos de combustíveis afirmam que o estoque das bombas está chegando ao fim. Empresas de ônibus anunciam a redução no número de veículos que vai circular pela cidade, a fim de manter o serviço prestado à população. Setores de alimentos também alertam para redução do estoque de alguns produtos que não estão chegando aos supermercados.

 

Mesmo com os efeitos desta manifestação em diversos setores, caminhoneiros seguem com o protesto. Na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Barra Mansa, manifestantes se concentraram no acostamento da via e em alguns postos de combustíveis. Por volta das 6h30, eles atearam fogo a alguns pneus, dificultando a visibilidade de motoristas que passam pela região. Não há interrupção do trânsito para veículos de passeios e ônibus.

 

Na BR-393 (Rodovia Lúcio Meira) manifestantes se concentram no km 182, em Paraíba do Sul e km 281, em Volta Redonda. O fluxo do trânsito para os demais veículos segue normal. O protesto começou no finalzinho da noite de domingo (20), em todo o país devido aos constantes aumentos no preço dos combustíveis.

As informações são do G1.

Fonte: Milkpoint

E na sua região? Como a paralisação está impactando o leite? Participe enviando um comentário ou envie um e-mail para contato@milkpoint.com.br  ou utilize a seguinte hashtag nas redes sociais > #bloqueiodecaminhoesmilkpoint

 

 

Desenvolvido por KYU design gráfico