Entrevista
Manter a excelência exige movimento constante e visão estratégica
Sebastião Rezende, chefe-geral

Completar 90 anos é um marco histórico para qualquer instituição, especialmente uma voltada para o ensino e pesquisa.
A EPAMIG ILCT , de passado grandioso e futuro promissor, busca expansão de suas atividades com a consolidação do curso superior de Tecnólogo em Laticínios, com novos convênios com a UFJF e EMBRAPA Leite e inauguração do seu Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação em Leites e Derivados.
Atenta aos desafios atuais, a renomada Instituição define sua visão estratégica visando a excelência, trazida pelo movimento constante dos autores que compõem seu ecossistema de ensino, pesquisa, transferência de tecnologias e formação acadêmica, antenada com as demandas do sistema agroindustrial do leite e seus derivados.
Sebastião Rezende Tavares possui graduação em Farmácia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1981),
especialização em Análises Clínicas pela mesma Instituição (1982),
mestrado em Agroquímica pela Universidade Federal de Viçosa (1986),
doutorado em Biologia Molecular pela Universidade de Brasília (1998) e
pós-doutorado no National Center for Agricultural Utilization Research, USDA, Peoria, Illinois, EUA (2007).
Desde 2020 é chefe-geral do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (EPAMIG ILCT), responsável pelo desenvolvimento de pesquisas em processamento de leite e derivados.
RiL – Revista Indústria de Laticínios –
O que significa para o ILCT completar
90 anos de trajetória?
Sebastião Rezende – Completar 90 anos é um marco para qualquer instituição, especialmente para uma voltada ao ensino e à pesquisa. A EPAMIG ILCT é referência na formação e capacitação de profissionais para o setor laticinista. Ao longo dessas nove décadas, atuamos no desenvolvimento e padronização de produtos lácteos, criação de alimentos funcionais, soluções para reaproveitamento e descarte correto de resíduos, além de apoio a agroindústrias e queijarias. Promovemos a transferência de tecnologias por meio de publicações, cursos de capacitação e eventos como o Minas Láctea.
RiL – Quais os principais desafios da gestão?
E as principais oportunidades?
Sebastião Rezende – Manter a excelência exige movimento constante e visão estratégica. Um dos grandes desafios atuais é consolidar o curso superior de Tecnologia em Laticínios, que representa um salto na formação de profissionais altamente qualificados para um mercado que demanda, com urgência, mão de obra especializada. Essa evolução acadêmica amplia as oportunidades de pesquisa, a participação em projetos científicos e o desenvolvimento da carreira acadêmica, oferecendo aos estudantes uma formação mais completa e conectada às demandas reais da indústria. Nos últimos três anos, captamos aproximadamente R$ 12 milhões em recursos e desenvolvemos mais de 15 novas tecnologias em diversas áreas. A inauguração do novo Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação em Leites e Derivados marca uma nova etapa, expandindo parcerias e serviços e reforçando a posição do Instituto como referência nacional em ciência, tecnologia e formação profissional.
RiL – Como o Instituto pode continuar sendo relevante para o setor de leite e derivados?
Sebastião Rezende – A EPAMIG ILCT combina tradição com pesquisa de ponta. Fomos a primeira escola de laticínios da América Latina e já formamos mais de 3 mil profissionais. Atuamos em qualidade e segurança do leite, aproveitamento do soro, probióticos, leites fermentados e até leite humano. Também oferecemos capacitações, serviços tecnológicos e consultorias que atendem diretamente à indústria e aos produtores. A criação do curso superior ampliou ainda mais a relevância do Instituto, integrando formação acadêmica, pesquisa aplicada e demandas atuais do setor, garantindo nossa importância contínua.
RiL – Com o novo Centro de Capacitação,
quais parcerias e serviços serão oferecidos
para as indústrias?
Sebastião Rezende – O Centro será moderno e multifuncional, com laboratórios especializados e espaços adaptáveis. Permitirá cursos sob demanda, treinamentos práticos, consultorias, testes tecnológicos e curadoria de concursos de queijos.
Já há colaboração com a Fiocruz na área de leite humano, e novas parcerias com indústria e instituições de ensino e pesquisa estão em desenvolvimento, criando um ecossistema de inovação e capacitação que fortalece toda a cadeia produtiva
do leite
RiL – Neste ano terá a formatura da primeira turma no Curso Superior de Tecnologia e Gestão de Laticínios. O que mudou na formação dos alunos?
Sebastião Rezende – A transição do curso técnico para o nível superior preservou a tradição do “aprender fazendo”, mas com muito mais profundidade. São mais de 3 mil horas de aulas práticas e teóricas, incluindo 320 horas de estágio supervisionado. Os alunos participam de projetos científicos, iniciação à pesquisa, visitas técnicas e eventos, oferecendo uma formação integrada e alinhada às demandas da indústria.
RiL – Como funciona o convênio com a UFJF para o curso superior?
Sebastião Rezende – O curso superior é oferecido exclusivamente pela EPAMIG ILCT. Com a UFJF, mantemos parceria
sólida na pós-graduação. Junto com a Embrapa, oferecemos
o Mestrado Profissional em Ciência e Tecnologia do Leite e Derivados, conectando ensino e pesquisa de forma estratégica e ampliando possibilidades de formação e inovação.
RiL – Em termos de mercado de trabalho, quais impactos do curso ser de nível superior?
Sebastião Rezende – O Tecnólogo em Laticínios passa a ter oportunidades além das funções técnicas tradicionais, podendo atuar em gestão, consultoria, inspeção e inovação. O curso combina prática, administração, qualidade e pesquisa, atendendo a uma demanda antiga do setor.
RiL – O corpo de professores e a grade curricular foram ampliados? Quais novos conteúdos?
Sebastião Rezende – Atualmente contamos com 23 professores em tempo integral, sendo 78% mestres ou doutores. A grade curricular inclui disciplinas tradicionais de tecnologia de laticínios e novas áreas como microbiologia, bioquímica, análise sensorial, gestão, empreendedorismo e sustentabilidade. Também adotamos metodologias ativas, como aprendizado baseado em projetos, que aproximam teoria e prática e estimulam o protagonismo dos alunos.
RiL – Em termos de pesquisa, quais são as principais áreas e seus projetos?
Sebastião Rezende – O ILCT desenvolve pesquisas em várias frentes com impacto direto na indústria e na sociedade, incluindo probióticos e leites fermentados, produtos concentrados e desidratados, sobremesas lácteas e sorvetes, qualidade e segurança do leite, aproveitamento do soro, queijos artesanais e regionais, leite humano e leites de cabra e ovelha. Nos últimos três anos, foram desenvolvidas mais de 15 novas tecnologias. A transição para o curso superior trouxe um diferencial: aumentou a participação dos alunos em projetos científicos e atividades de iniciação à pesquisa, fortalecendo a integração entre formação acadêmica e desenvolvimento tecnológico.
RiL – O tradicional evento Minas Láctea retorna em 2026. Quais serão as novidades e oportunidades para as empresas e para os visitantes?
Sebastião Rezende – O Minas Láctea é o maior evento do setor na América Latina e, em 2026, retorna com todas as suas frentes: Congresso Nacional de Laticínios, Semana do Laticinista, Concurso Nacional de Produtos Lácteos, Expomaq e Expolac. Será um espaço de atualização tecnológica, troca de conhecimento e geração de negócios. Para as empresas, funcionará como vitrine de inovação e networking; para os visitantes, é uma oportunidade de conhecer tendências, participar de experiências e se aproximar dos principais atores da cadeia do leite.

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