
ENTREVISTA
Nilda Soares,
presidente da EPAMIG
90 anos
trazendo belos horizontes de saberes e fazeres
Excelência na formação técnica e capacitação de profissionais , desenvolvimento e transferência de tecnologias, ampla integração escola-indústria, fazem do ILCT a usina mineira de ensino e pesquisa para o setor lácteo, reconhecido nacional e internacionalmente.
Orgulho da cidade de Juiz de Fora e da Zona da Mata, a Candinha, o nome carinhoso do Instituto, unidade da EPAMIG, é exemplo destacado de modelo de educação para o Brasil, combinando a prática do“ aprender fazendo.”
Nilda de Fátima Ferreira Soares é Graduada em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, UFV (1984),
possui doutorado em Ciência de Alimentos pela Cornell University (1997).
Professora titular da Universidade Federal de Viçosa,
foi vice-reitora (2008-2011) e reitora (2011-2019) da Instituição.
Desde 2019 é diretora-presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG).
RiL – Revista Indústria de Laticínios – Ao completar 90 anos de existência, como a senhora avalia a importância do ILCT para o setor de leite e derivados?
Nilda Soares – A relevância do Instituto de Laticínios Cândido Tostes para o setor lácteo do Brasil é inegável, seja na formação e capacitação de profissionais, na geração de tecnologias para a indústria, ou na transferência dessas tecnologias e na realização de eventos. Estamos em Minas Gerais, o maior produtor de leite e o maior produtor de queijo do Brasil e, essa instituição, fundada em 1935, mantém-se na vanguarda e contribui decisivamente para o contínuo crescimento da indústria brasileira de laticínios, graças ao modelo de integração entre ensino, pesquisa e difusão do conhecimento.
No ensino, o Cândido Tostes se destaca pela formação de profissionais altamente qualificados que despertam o interesse das indústrias laticinistas, antes mesmo da conclusão do curso. Na pesquisa, são inúmeros os trabalhos com queijos industriais, iogurtes e bebidas lácteas, descarte correto de resíduos, apoiados no fato de o Instituto contar em sua estrutura com uma fábrica-escola. Além disso, há trabalhos com os queijos artesanais e, mais recentemente com o leite humano, em parceria com Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a alimentação de bebês prematuros.
Na difusão das tecnologias temos as publicações, os cursos de capacitação e os eventos, em especial, o Minas Láctea, que a cada dois anos reúne em Juiz de Fora, os diferentes elos da cadeia produtiva de leite e derivados.
RiL – Quais os projetos e planos da EPAMIG para desenvolver as atividades de ensino, pesquisa e parcerias do ILCT?
Nilda Soares – Para a EPAMIG é um orgulho ter em sua estrutura uma instituição como o Instituto Cândido Tostes. Nossa Empresa tem passado por um momento de investimento em infraestrutura, fortalecimento da pesquisa e chegada de novos colaboradores, com recursos próprios, investimentos do Governo Estadual e recursos de projetos de pesquisa. Em nossos institutos de ensino, temos recebido também os investimentos da área educação. No Cândido Tostes, estamos concluindo as obras do Centro de Capacitação, adquirimos novos equipamentos para a pesquisa e para o ensino, além das melhorias nas instalações.
RIL – O que muda na formação dos alunos, agora Tecnólogo em Laticínios, com o curso passando a ser de nível superior?
Nilda Soares – Os técnicos formados pela instituição sempre despertaram o interesse do mercado de trabalho antes mesmo da formatura. Grande parte deles ocupa cargos diversos em empresas no ramo de laticínios, ingredientes e equipamentos industriais. Imagine agora com a formação superior de Tecnólogo em Laticínios. Nossa expectativa é formar profissionais ainda mais qualificados e preparados para atenderem as demandas da indústria laticinista e também da pesquisa, da inovação e das agroindústrias familiares. Nesse final deste ano de 2025, já teremos a primeira turma de tecnólogos formados.
Recentemente, fomos incluídos na Política Estadual de Democratização do Acesso e Permanência Estudantil, que garante aos estudantes em condição de vulnerabilidade econômica, o acesso a bolsas alimentação, transporte, auxílio pedagógico e tantos outros apoios que facilitarão e permitirão a permanência nos cursos.
RiL – Quais os planos atuais para as ações da EPAMIG em suas áreas de atuação e quais os maiores desafios?
Nilda Soares – A EPAMIG completou 51 anos no último mês de agosto e tem vivenciado um período de resgate de sua grandeza. Hoje estamos em um patamar ascendente com mais recursos para a pesquisa e buscando maior conexão com as demandas do setor produtivo. Temos uma lei que assegura recursos para a pesquisa agropecuária. Bons projetos estão sendo desenvolvidos e temos buscado fortalecer nosso capital humano. Temos vários desafios, mas acreditamos que podemos crescer ainda mais, afinal são as dificuldades que nos fazem buscar novos caminhos e nos tornam mais fortes.

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