Novos horizontes para a bovinocultura de leite em SC

 

Faesc/Senar apresentam resultados do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG)

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) promoveram dia 14, em Chapecó, o 2º Seminário Estadual do Programa de Assistência Técnica e Gerencial em Bovinocultura de Leite. O evento contou com a presença de aproximadamente 1700 produtores de leite e teve como objetivo apresentar os resultados do trabalho desenvolvido em propriedades rurais, o aumento e a melhoria da produtividade e a qualificação dos gestores.

Na abertura solene estiveram presentes o presidente da Faesc/Senar José Zeferino Pedrozo, o superintendente do Senar/SC Gilmar Antônio Zanluchi, o 1º vice-presidente Enori Barbieri e o 1º vice-presidente de tesouraria Antônio Marcos Pagani de Souza. Entre as autoridades, o prefeito de Chapecó Luciano Buligon, deputado federal Celso Maldaner, deputado estadual Altair Silva e deputado estadual Marcos Vieira, o presidente do Sindicato Rural de Chapecó Ricardo Lunardi e o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de SC Adriano da Cunha.

“Nós estamos executando o programa há três anos para completar o cenário rural. Reconhecemos que é muito difícil reunir produtores, porque precisa de atenção diária nas atividades que eles exercem. Porém, todo esse esforço, considerando a distância que muitos percorreram foi compensada por meio do aprendizado que o seminário proporcionou. Além da troca de experiências, as palestras aprofundaram o conhecimento de cada participante”, garantiu o presidente do sistema Faesc/Senar José Zeferino Pedrozo 

O deputado Marcos Vieira, presidente da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, assegurou que os deputados catarinenses firmaram posição em defesa da agricultura e do agronegócio. Os parlamentares rejeitarão todas as propostas de tributação dos insumos agrícolas – especialmente de defensivos – propostas pelo Governo do Estado de Santa Catarina. A tributação destroçaria a competitividade dos produtos catarinenses. Vieira disse que esse assunto será tratado pelo Conselho Fazendário Nacional (Confaz) em 2020 e que o governo estadual erra ao tentar antecipar uma questão que precisa ser equacionada em nível federal.

HISTÓRICO

Com o objetivo de proporcionar aumento da produção, evolução na produtividade e no nível de gestão, além do incremento da renda líquida das propriedades rurais catarinenses, o Sistema Faesc/Senar iniciou em 2016 o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

A Assistência Técnica e Gerencial é um processo educativo de caráter continuado que visa atender a produtores rurais por meio de uma metodologia fundamentada em ações de diagnóstico, planejamento, adequação tecnológica, formação profissional do produtor e análise de resultados, de forma a possibilitar a disseminação de tecnologias associadas à consultoria gerencial. As propriedades são assistidas em Santa Catarina por um período de dois a quatro anos desde gestão até manejo adequado, melhoria da alimentação, das instalações, nutrição, qualidade do leite e bem-estar animal.

RESULTADOS

De acordo com o supervisor técnico da ATeG em bovinocultura de leite Jeam Carlos Palavro, a primeira etapa da metodologia aplicada consiste em construir um diagnóstico nos três primeiros meses do projeto. Quando identificado as falhas de cada propriedade, os técnicos de campo traçam metas junto aos produtores.

No segundo ano é possível determinar os extratos de indicadores, sejam técnicos ou financeiros. Por fim é planejada a produção de leite com foco voltado ao desenvolvimento de cada setor ou etapa produtiva, como exemplo a nutrição das vacas leiteiras, com o propósito de evitar desperdícios, tornar a atividade eficiente e incrementar a renda.

“O resultado esperado é o desenvolvimento da propriedade com sustentabilidade, então nós trabalhamos a gestão, controle de despesas e receitas e a assistência técnica. É muito importante termos a oportunidade de levarmos esse trabalho a campo efetivamente com treinamentos e assistência para que possamos, como entidade, contribuir com o nosso público que são os produtores rurais”, destacou Palavro.

Em 2019 foram realizadas 16 oficinas técnicas para aprimorar o conhecimento e aumentar a produtividade. Jeam explicou que uma propriedade funciona como unidade-conceito, onde são realizadas as oficinas. Em seguida, por meio dos resultados, o programa é aplicado em outras propriedades rurais e aperfeiçoado de acordo com os objetivos de cada produtor rural.

Em 2016, quando iniciado a ATeG, 1350 propriedades participaram do programa. Já em 2019, a ATeG abrangeu 1800 propriedades e foi aplicada em 165 municípios catarinenses. Em média mensal, as propriedades comercializaram 11.556 litros de leite. Por dia, a produção de leite representa em média 18,34 litros.

“Por mais de 20 anos levamos informações em cursos e treinamentos de curta duração. Agora contribuímos com a assistência técnica. Mensalmente nossos técnicos levam o que há de mais moderno no manejo, na produção de alimentos e tudo aquilo que o produtor tem necessidade para melhorar sua gestão e rentabilidade. O resultado não poderia ser diferente, hoje somos o quarto maior produtor de leite do Brasil”, afirmou Pedrozo.

Em média os produtores trabalham com 20 vacas por propriedade. Jeam destacou que de agosto de 2018 a julho de 2019 a média recebida do preço do leite foi de R$ 1,29. O acréscimo produtivo foi de 8%, o que representa 10 mil litros a mais de leite na propriedade comparado ao ano anterior. Ao todo, as propriedades atingiriam 18 milhões 489 mil litros de leite produzido.

PALESTRAS

O foco principal do seminário foram duas palestras. A primeira ministrada pelo zootecnista e especialista em produção e nutrição de ruminantes Renato Palma Nogueira, que retratou sobre “Nutrição para vacas leiteiras na prática”. Logo, apresentou que existem outros fatores mais importantes para obter bons resultados na produção de leite. De acordo com Nogueira, a dieta representa 20% da produtividade, sobressai o manejo responsável por 80% do sucesso produtivo.

Entre os principais fatores de produção foram abordados a redução de variação, ressaltando que a ordenha precisa de procedimentos estáveis e dietas bem formuladas com quantidades precisas. É necessário a boa comunicação entre produtor e nutricionista, bons equipamentos e ficar atento ao desenvolvimento da propriedade.

“A maioria dos problemas não estão relacionados à nutrição da vaca, mas sim ao modo de vida oferecido a ela. É necessário saber o que acontece com ela todos os dias. Um exemplo básico é protegê-la do sol. Se você não expor o animal a temperatura alta, ele produzirá mais. Se o ambiente que ele caminha causa dor, ou medo, a produção cairá. Precisamos ficar atentos como se o dia a dia da vaca também fosse o nosso”, ressalta Nogueira.

As vacas têm horário para comer. O ideal é que as principais refeições sejam realizadas no nascer e pôr do sol, para evitar que os animais passem calor e, por consequência, ocorra o stress térmico. A água é um nutriente essencial para a qualidade de vida da vaca. Nogueira apresentou que 75% delas bebem água após a ordenha. O indicado é que tenha dois bebedouros por lote, de 10 a 15 cm de largura e de 15 a 30 cm de profundidade. Os recipientes precisam ser limpos, como se o próprio produtor precisasse beber a água.

A segunda palestra foi ministrada pelo médico veterinário, mestre em produção animal e especialista em bovinocultura de leite Mário Sérgio Ferreira Zoni, que abordou “Campo ou cidade- você decide o seu futuro”. De acordo com Zoni, é importante mostrar aos jovens o desenvolvimento e rentabilidade da atividade, que são resultados de três princípios básicos: amor a terra, ser dono do próprio negócio e ter qualidade de vida.

Para um bom gerenciamento é preciso compreender que as vacas precisam ser gratificadas pelo seu trabalho. Zoni ressaltou que os animais que tem acesso a comida durante 24 horas podem produzir até 3,6 kg de leite a mais. Em seguida afirmou que a vaca precisa de conforto, pois não adianta investir em genética e nutrição se os animais não receberem “mimos”.

A palestra auxiliou o produtor a compreender para onde ele vai, como perceber as oportunidades, de que forma enxergar o gerenciamento nas propriedades, como crescer em área limitada e como planejar o futuro da atividade.  “A visão de negócios é muito pequena, o produtor tem dificuldade de perceber que ele é empresário, ele se vê como trabalhador, mas ele é dono de um negócio”, finalizou Zoni.

 

 

 

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